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PROBLEMAS DA TIREÓIDE


Problemas da tiróide


A tiróide localiza-se na região anterior do pescoço. Produz a hormona tiróidea, a qual controla a velocidade das funções químicas do organismo (proporção metabólica).
Algumas afecções da tiróide podem fazê-la aumentar de tamanho, doença conhecida como bócio. O bócio pode existir quer a glândula seja hipoactiva (produção escassa de hormonas tiróideas) quer seja hiperactiva (produção excessiva). A dilatação da tiróide, evidente no momento do nascimento, chama-se bócio congénito. Algumas crianças têm a síndroma de Pendred, doença hereditária que combina surdo-mudez e bócio congénito.
O hipotiroidismo manifesta-se quando a tiróide não pode produzir quantidades adequadas de hormona tiróidea, necessárias para o organismo. Os sintomas do hipotiroidismo nas crianças e nos adolescentes diferem dos sintomas nos adultos. (Ver secção 13, capítulo 145) Nos recém-nascidos, o hipotiroidismo provoca cretinismo (hipotiroidismo neonatal), que se caracteriza por icterícia, perda de apetite, prisão de ventre, choro rouco, protuberância umbilical (hérnia umbilical) e crescimento ósseo tardio. Se não for diagnosticado nem se tratar nos meses posteriores ao nascimento, o hipotiroidismo provoca atraso mental. O hipotiroidismo que começa na infância (hipotiroidismo juvenil) atrasa o crescimento e, por vezes, origina membros desproporcionadamente curtos. Também tardam a aparecer os dentes. O hipotiroidismo que se inicia na adolescência (hipotiroidismo juvenil) é semelhante ao dos adultos, mas pode atrasar a puberdade. Os sintomas incluem voz rouca, atraso na fala, pálpebras lânguidas e cara inchada, além de queda de cabelo, pele seca, pulso lento e aumento de peso.
Em todos os recém-nascidos, o valor da hormona tiróidea no sangue mede-se sistematicamente nos dois dias que seguem ao nascimento. A um recém-nascido que sofra de hipotiroidismo é rapidamente administrada hormona tiróidea. Este tratamento evita a lesão cerebral. O hipotiroidismo que se manifesta na infância ou na adolescência trata-se também com hormonas que repõem as deficiências.
Bócio: tiróide dilatada
O hipertiroidismo é consequência da hiperactividade da tiróide. (Ver secção 13, capítulo 145) No recém-nascido, a causa mais frequente de hipertiroidismo é a doença neonatal de Grave, potencialmente terminal, que pode manifestar-se nos filhos de mães que sofrem ou que sofreram desta doença. A doença de Grave, uma forma de hipertiroidismo, é uma doença auto-imune pela qual o organismo produz anticorpos que estimulam a tiróide. Nas grávidas, estes anticorpos atravessam a placenta e estimulam a tiróide do feto. A doença de Grave na mãe pode provocar o nascimento de um feto sem vida, o aborto ou o nascimento prematuro. Num recém-nascido, os sintomas de uma tiróide hiperactiva (escasso aumento de peso, rápida frequência cardíaca, hipertensão, nervosismo ou irritabilidade, vómitos e diarreia) podem manifestar-se vários dias depois do nascimento. O aumento do tamanho glandular (bócio) pode pressionar a traqueia e interferir na respiração. Os altos valores da hormona tiróidea aceleram o ritmo cardíaco, o que pode provocar insuficiência cardíaca. Os olhos salientes, uma característica frequente na doença do adulto, também se manifestam nos recém-nascidos. A doença de Grave é potencialmente mortal se não for detectada e se não for devidamente tratada.
Os bebés que recebem tratamento recuperam em poucas semanas, embora possam correr o risco de a doença ser recorrente entre os seis meses e o ano. Os valores altos e persistentes de anticorpos estimulantes da tiróide também podem provocar o fecho prematuro dos ossos cranianos (fontanela), atraso mental, hiperactividade tardia na infância e atraso no crescimento.
O hipertiroidismo trata-se com fármacos, como o propiltiouracilo, que interfere na formação da hormona tiróidea. Os bebés também podem precisar de tratamento por problemas cardíacos. Para os recém-nascidos muito graves que tenham valores sanguíneos muito elevados de anticorpos estimulantes da tiróide, pode ser necessário fazer uma exanguinotransfusão (mediante a qual, parte do sangue do recém-nascido é extraído e trocado por sangue doado) para fazer diminuir a quantidade desses anticorpos.

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